23 de abr de 2016




Era feliz e não sabia.

O sabiá laranjeira
Cantou a despedida
A água da corredeira
Secou, morreu na descida

 A casa caiu, muro desabou
O mato cobriu o gramado da descida
A manga rosa não vingou
Ficou a lembrança do sorriso da menina

Debaixo dos escombros
Ainda ouço vozes de jovens felizes
Ainda ouço juras de amor, vejo quedas e tombos
Vejo ruivas, morenas, vestimenta de todos matizes

Dói mergulhar em um passado
Que o temido tempo levou,
Essa alva e clara tez desse dia embaçado
Ficou como uma ausência sem fim, da noite que passou
nos cabelos brancos de uma saudade!


Uma saudade que vem trazendo
Lembranças que nunca esquecerei
Deste lugar, solo sagrado da minha infância
Castelo de amor, fraterno, materno, simples brejeiro.
Onde sonhos foram criados, amores surgiram do nada
E em nada se tornou

E o tempo mais ligeiro
Levou embora, só resta ruínas e lembranças
Levou a vida que eu não queria
E hoje depois de muitas andanças
Descobri que era feliz e não sabia.

Josemar



6 de ago de 2012

EU e a noite

Diante de um espaço
Onde sou apenas um objeto
Diferente de um caso
Onde o Eu é um ser esperto

A vida monótona e vazia
Pede a morte para que possa transformar
O Eu triste da monotonia
Em simples poder de sonhar

Sonhar com a vida de ser gente
Sonhar com o amor carente
Sonhar com o sonho perdido
Viver o sonho desencontrado

Mas o Eu é rejeitado
imposto  e martirizado
e minha alma sem tenda
passa frio na noite lenta

30 de jul de 2012

Meu jeito de te amar

Eu te amo do meu jeito
Amo até o teu modo de me rejeitar
Amo teu corpo não como um objeto
E sim como o meu jeito de te amar
Te peço perdão por te amar assim
Pelas noites que acalentei teu sono
Pelos beijos, pelo teu cheiro de jasmim
Pelas carícias que encheram o outono
Pelo carinho que um dia entregaste a mim
Mesmo rejeitado, te amo com meu jeito de amar
Não te procuro, não quero te incomodar
Apenas te amo simplesmente
Com um amor sem mistério, sem virtude
Com um desejo imenso e permanente.

Jpr.